Derrota Antecipada

 

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Na eleição para Presidente da Câmara dos Deputados, em 1 de fevereiro de 2015, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) obteve 136 votos. Foi derrotado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que obteve 267 votos. O terceiro candidato, Julio Delgado (PSB-MG), teve 100 votos. Em quarto lugar, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), teve oito votos. Houve duas abstenções.

Em 17 de abril de 2016, o relatório a favor do impeachment teve 367 votos. Exatamente a soma dos votos do oposicionista Julio Delgado (100) com os votos obtidos por Eduardo Cunha (267). Os votos contrários ao impeachment foram 137, apenas um a mais que os votos franqueados a Arlindo Chinaglia. Noves fora meia dúzia de ausências, traições e abstenções, a eleição de Eduardo Cunha foi a radiografia antecipada do impeachment.

Disso, decorre a seguinte percepção. Dentro da “margem de erro”, o Governo Dilma não conseguiu conquistar nenhum apoio genuíno desde que teve a mercadante idéia de dividir o PMDB e inflar o PROS e o PSD, para se tornar menos dependente de seu “principal” aliado (e, incidentalmente, o partido do Vice Presidente da República).

Na eleição para o Senado, em que o PMDB entrou dividido e disputou com duas candidaturas, Renan Calheiros teve 49 votos e o falecido Senador Luiz Henrique teve 31 votos. Houve um voto nulo. São 31 os votos da “oposição”. Os votos de Renan são os votos de sua bancada pessoal e os votos da bancada do governo. Renan sabe que tem força para salvar a Dilma.

E é exatamente por isso que, mesmo sabendo que Renan tem sete processos nas costas, nenhum senador do bloco verdadeiramente governista o chamará de réu ou de ilegítimo na hora de votar contra a admissibilidade do pedido.

Alguém antecipa um resultado?

Author: Bruno Simões

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