Duas posições para a oposição

O Governo Dilma está em situação complicada desde o início do segundo mandato. A economia vai de mal a pior: forte recessão, inflação descontrolada, desemprego crescente, real desvalorizado, dívida pública cada vez maior. Ao mesmo tempo, cresce a polarização da sociedade, capitaneada pelo debate sobre as possibilidades e os méritos de um possível impeachment. Esse cenário crítico fez cair a um nível sem precedentes a popularidade da Presidente.

Nesse contexto, há muitas dúvidas sobre qual postura deve ter a oposição.

É hora de fazer um governo de união nacional, deixando de lado as diferenças partidárias, para enfrentar a crise econômica? Ou a oposição deve torcer contra a economia do país, para ferir ainda mais o governo?

É o momento para dar apoio institucional à Presidente Dilma, garantindo o seu “direito de governar dado pelas urnas”? Ou seus opositores devem usar de todos e quaisquer meios para tirá-la do poder?

1 – Crise econômica: juntar-se ao Governo ou quebrar o pais?

Nem um, nem outro. Não cabe à oposição encampar as ideias e as políticas defendidas pelo Governo. Não lhe cabe, tampouco, esperar que os brasileiros sejam engolidos pela crise e sofram com os seus efeitos. A oposição tem, sim, o papel de propor formas diferentes de combater a crise econômica. Deve avaliar criticamente os caminhos protecionistas e os ajustes nocivos à população sugeridos pela situação, e indicar outras formas de sair da estagflação em que se encontra o país, sem socializar todos os custos do ajuste. É dever da oposição dar voz às visões econômicas deixadas de lado pelo Governo.

2 – Impeachment: ajudar a governar ou dar o golpe?

Mais uma vez, nada disso. Não é trabalho da oposição sustentar a governabilidade (muito pelo contrário!). Não se pode, contudo, jamais deixar de zelar pela normalidade democrática no país. O dever da oposição é limitar e controlar o poder da maioria, utilizando os mecanismos de freios e contrapesos, indispensáveis ao bom funcionamento dos regimes democráticos, e levando ao Congresso as vozes das ruas. Dessa forma, caso comprovado que a Presidente Dilma tenha cometido crimes passíveis de impedimento, deve pressionar por sua saída, dentro das previsões constitucionais. Assim, a oposição cumpre seu papel de resguardar as instituições democráticas contra o poder da maioria ou da força, e de representar os brasileiros descontentes com a corrupção do Governo, que ganharam as ruas no último domingo.

Em suma, a oposição não governa, nem desgoverna. A oposição, simplesmente, se opõe.

Author: Luis Guadagnin

Nascido em 1986, em São Paulo-SP. Formado em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo em 2008. Diplomata desde 2009.

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