2015: a antessala de 2016 e 2018

As manifestações contra o governo Dilma realizadas em 12 de abril, a despeito de prometerem o contrário, foram menores que suas congêneres ocorridas em 15 de março. Como o patamar de insatisfação dos brasileiros contra o governo Dilma não arrefeceu neste período, o que explicaria essa desmobilização?

Algumas hipóteses podem ser aventadas como o desalento de alguns pela demora do encaminhamento das “soluções” ou a ausência de lideranças fortes e pautas unívocas, mas nenhuma explica o fenômeno dessa redução do número de manifestantes de forma tão clara como a falta de conexão com o mundo institucional.

Por meio desta leitura, estes movimentos de rua não se sustentam sozinhos por muito tempo, a não ser que alcancem algum grau de ligação com as oposições institucionalmente constituídas no parlamento. Por um lado, os manifestantes ganham amparo em forças mais permanentes e dotadas de real poder político na esfera da democracia representativa, enquanto que, de outra monta, os partidos de oposição conseguem finalmente a materialização de uma base social que tanto desejaram nos últimos doze anos.

Nesse sentido, os líderes de ambos os lados – manifestantes e partidos de oposição – ensaiaram um estreitamento de laços em torno da questão do impeachment da presidente Dilma, amparados em uma pesquisa do instituto Datafolha, que demonstra que 63% dos brasileiros desejariam o impedimento da presidente. Entretanto, para além da questão do impeachment em si, já cantada em verso e prosa por todos que analisam a cena política, algumas considerações precisam ser feitas acerca do atual momento político e suas perspectivas para o futuro.

A primeira delas diz respeito ao calendário eleitoral das eleições municipais, que deve ser iniciado daqui a menos de seis meses, quando termina o prazo para que os pré-candidatos migrem para os partidos em que pretendem disputar as eleições em 2016. Com a persistência da crise política, é possível que o PT em maior grau – e o PMDB e PP em menor medida – sofram uma grande rejeição dos eventuais candidatos e, principalmente, do eleitorado.

Uma segunda conseqüência, em decorrência da primeira, é o fortalecimento da oposição nos municípios, em um movimento que lembra muito as eleições de 2000, as quais pavimentaram, dois anos depois, o caminho de Lula e do PT para o Planalto. Nesse sentido, é importante ressaltar que estes resultados certamente foram obtidos devido à grande estridência do partido na oposição à FHC em 1999, inclusive com pedidos formais de impeachment ao tucano.

Diante disso, é provável que o ciclo de poder do Partido dos Trabalhadores esteja se esgotando, abrindo caminho para novas forças políticas, ainda que abrigadas em siglas que já estiveram no poder, como o PSDB.

Com base em tal cenário, três perguntas deverão ser respondidas sobre as eleições gerais de 2018: i)Caso o desgaste de Dilma continue, com ou sem impeachment, Lula sacrificará sua biografia em uma disputa em que representará o lado mais fragilizado?; ii) Aécio Neves conseguirá pacificar novamente seu partido, o PSDB, e reunir em torno de si as demais lideranças como José Serra e Geraldo Alckmin?; iii) Alguma força de terceira, capaz de quebrar a polarização entre PT e PSDB, conseguirá emergir por meio da conexão dos descontentes com ambos os lados?

Como podemos ver, este ano, com crescente turbulência política, parece ter se convertido em ante-sala de 2016 e 2018. Vamos aguardar os próximos capítulos.

*Este artigo foi publicado originalmente na Coluna Pólis, no jornal Gazeta de Limeira em 26/04/2015.

Author: Leandro Consentino

Bacharel em Relações Internacionais, Mestre e Doutorando em Ciência Política na Universidade de São Paulo. Atualmente é professor do Insper, da FESP-SP e do Instituto Sidarta e Superintendente Executivo da Fundação Mario Covas

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